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Postado em 24 de Julho de 2017 às 16h35

Chapecó cria ponto de descarte do lixo eletrônico e pede apoio da população

No ecoponto municipal, inaugurado em março de 2016, apenas 501 itens foram descartados pela comunidade até agora. Única empresa no setor recolhe 15 toneladas por mês

As questões que envolvem o descarte do lixo, no mundo todo, tem sido um problema. Sobretudo nos grandes centros urbanos, onde a produção de resíduos é mais acentuada, dar a destinação correta aos materiais descartados pela sociedade nem sempre é tarefa simples. Em grande parte porque a própria população, sem informação, não faz a sua parte e o pleno recolhimento se torna um desafio.

Nesse contexto, o lixo eletrônico – caracterizado por equipamentos como televisores, celulares e computadores – que passou a ser produzido em massa a partir da era tecnológica, no século XX, por ser mais recente, ainda precisa de esclarecimentos. Em Chapecó, por exemplo, uma das maiores cidades do Estado, o processo de coleta deste tipo de lixo, por iniciativa da Prefeitura, começou há pouco mais de um ano e ainda precisa ser assimilado pela população.

Foi somente a partir de março do ano passado que a Secretaria Municipal de Infraestrutura, criou um ecoponto para receber esses resíduos. A iniciativa é vista com bons olhos, já que não é de competência do poder público recolher o lixo eletrônico.

– A responsabilidade pelo lixo eletrônico é de quem compra e de quem vende. Ao município compete recolher apenas o lixo domiciliar. Mesmo assim, ofertamos essa possibilidade com o ecopontodesde o ano passado – explica Ivaldo Pizzinatto, secretário responsável pela pasta.

Na manhã de ontem, no container de 20 metros cúbicos onde esses itens são recolhidos, estavam três televisores e dois monitores de computador. Em 2016, foram apenas 324 materiais descartados no local. Neste ano, até agora, são 177 itens. Um total de 501 eletrônicos até agora. Para a gerente de resíduos sólidos do município, Vanusa Maggioni, os números são baixos.

– O lixo eletrônico não se descarta todos os dias. Um televisor tem um tempo de vida útil que é longo se pararmos para pensar. No entanto, se considerarmos o contingente populacional de Chapecó, podemos concluir que, de fato, esse material não está chegando até nós como deveria. Percebo que falta informação entre os chapecoensespara conduzir esse movimento de forma ideal.

Vanusa explica, ainda, que de acordo com a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólido, o cidadão tem o deve de devolver esse tipo de material a empresa onde comprou, e a empresa é que tem a responsabilidade de fazer a destinação correta. Trata-se da logística reversa.

– A população tem como fazer certo. Basta ter vontade e conhecimento – afirma.

No barracão da empresa de André, são recolhidos, mensalmente, de 10 a 15 toneladas de lixo eletrônico (Foto: Anderson Favero/VOZ)

Trabalho pioneiro no Oeste

André Andrelino Corrêa Filho, 34 anos, atuou no ramodo transporte durante os primeiros anos de sua vida profissional.Em 2012, quando concluía o curso de Tecnólogoem Logística,no Senac, em parceria com um colega, desenvolveu um projeto voltado para o recolhimento do projeto lixo eletrônico em Chapecó. Há três anos, a proposta ganhou corpo e ele fundou a empresa Reciclagem de Eletrônicos Chapecó (REC), pioneira e referência na região Oeste no recolhimento deste tipo de resíduos.

– Desde aquela época identifiquei que havia a demanda em Chapecó por este tipo de serviço. Mesmo hoje em dia, somos a única empresa legalizada no Oeste com essa proposta – explica o empresário que nos primeiros meses montou o empreendimento no porão de sua casa. Hoje, ele toca a REC sozinho – o colega de faculdade desistiu do projeto -em um barracão de 200 metros quadrados localizado na Linha Rodeio Bonito, interior do município.

Diariamente, o empresário percorre o município coletando o lixo que posteriormente é levado ao barracão. Lá, três funcionários fazem a triagem e a separação dos itens coletados. O trabalho é minucioso.

– Por mês, recolhemos até 15 toneladas de lixo eletrônico. Então, quanto mais específica for nossa triagem maior será nossa possibilidade de venda. Por isso, separamos tudo o que é possível como cobre, metal, alumínio, fios, plástico, placas e vidros. Após esse processo, vendemos esse material para mais de 50 empresas– conta André, que identifica como promissor o futuro de seu negócio.

– A tendência é que os eletrônicos sejam descartados cada vez mais rapidamente, já que as próprias empresas criam produtos com menor durabilidade. Em 2012 foi feita uma pesquisa no município que constatou que, aproximadamente, existiam em funcionamento 300 mil aparelhos de televisão analógicos. Hoje, com a chegada do sinal digital, esse número caiu para 150 aparelhos. Logo, todos esses televisores antigos, a medida que forem substituídos por outros mais modernos, serão descartados. Nós, possivelmente, não iremos suprir essa demanda sozinhos – analisa.

Nesse sentido, quanto mais antigo for o eletrônico, melhor será seu valor de mercado. Para André, os celulares de hoje em dia, por exemplo, estão cada vez melhores em termos de tecnologia, no entanto, a diminuição do tamanho e consequentemente do material empregado na fabricação, torna-o ruim para sua empresa.

O empresário, que não fala em números quando o assunto é faturamento, acredita que seu plano de negócios atingirá o objetivo de lucro antes mesmo de completar os cinco anos previstos inicialmente. Agora, a busca de parcerias, até mesmo estrangeiras, é o próximo passo para dar uma incrementada na REC.

– Daqui para frente, vou buscar parcerias em outros países. Meu objetivo é tornar a empresa uma exportadora e agregar mais valor ao trabalho. Além disso, estamos criando um site para estreitar nossa relação com empresas e pessoas que desejam doar seu lixo – prospecta.

Parceria com o município

É para o barracão de André que vão os materiais coletados no ecoponto do município. O container colocado no pátio da Secretaria de Infraestrutura pertence a sua empresa. No entanto, a grande maioria de lixo eletrônico recolhido pelo empresário é oriundo de empresas que fazem o agendamento da coleta através do site da ACIC, parceira da REC.

Onde descartar?

– Ecoponto: localizado na Secretaria Municipal de Infraestrutura, no alto da rua Sete de Setembro, em frente a UPA, das 7 às 17h, de segunda a sexta-feira;

– Agendamento através da empresa Reciclagem de Eletrônicos de Chapecó (REC): pode ser feito pelo número (49) 99915-0720;

– Agendamento via ACIC, voltado as empresas do município: pelo site www.acichapeco.com.br, no link “coleta de lixo eletrônico”.

 

Fonte: http://vozdooeste.com.br/2017/07/20/chapeco-cria-ponto-de-descarte-do-lixo-eletronico-e-pede-apoio-da-populacao/

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